No Meu País Era Assim | Larissa Bahia

A festa Junina ou São João, como é mais conhecida, é uma festa que teve influência portuguesa e foi trazida pelos jesuítas com o objetivo de homenagear São João Batista, mas há quem diga que na realidade essa festa se originou há muito tempo atrás com os Judeus e era feita na época da colheita nos meados de outono, tinha como objetivo prestar graças, e é por isso que também se conhece como festa da Colheita. O nome “festa Junina” remete ao mês de junho, e é justo, pois, é nesse mês que acontecem as comemorações, acredito que é a única época do ano que vemos uma fogueira, isto porque no Nordeste não existe inverno, as quatro estações do ano podem ser vistas como verão, mormaço, inferno e quentura. Brincadeiras à parte, segundo a crença popular, Maria, mãe de Jesus, e Isabel, mãe de João Batista, fizeram um acordo: quem tivesse o primeiro filho acenderia uma fogueira na frente de casa e, como a festa coincide com o inverno na América Latina, a tradição de fazer uma enorme fogueira no centro da festa se perpetuou. A festa Junina é a minha festa preferida do ano porque tem uma grande variedade de comida e é uma festa em que todos se vestem a caráter. As roupas, em sua grande maioria, são de cores primárias com muito vermelho, amarelo e azul, mas há quem vista um verde ou se enfeite com lilás. Todas as roupas são quadriculadas e cheias de bordados, homens com calça apertada e blusa xadrez, mulheres com vestidos rodados, as pessoas pintam de preto alguns dentes da frente e se fingem de banguelas, os garotos pintam um bigode fino em seus rostos e as meninas enchem-se de sardas, os garotos colocam um chapéu de palha e as meninas trançam seus cabelos com fitas. A dança da vez se chama “quadrilha” que se assemelham a dança portuguesa dos corridinhos e a comida é tipicamente brasileira. Ao todo são 35 pratos juninos que eu cansaria de listar aqui, mas posso falar de alguns como a pipoca doce, cocada, bolo de mandioca, bolo de fubá, pé de moleque, canjica, pamonha, queijadinha, tapioca, cuscuz, mungunzá e muitos outros. É uma grande variedade de pratos e, apesar de ser a minha festa preferida, também é a mais sofrida, porque tenho que me conformar que não posso comer tudo da festa. Acredito que é a festa mais divertida do ano, há vários jogos, todo mundo se veste igual um grupo de doidos, as danças tem histórias, há um casamento com direito a presença de um rei e uma rainha, homens se arriscam a pular a fogueira, bandeiras típicas da festa de caráter engraçado, muita música, pessoas rindo e brincando que acabam por cativar e hipnotizar quem estiver presente, impossibilitando a sensação de tristeza ou qualquer outro sentimento ruim que não seja causado pela a sensação de cansaço e fadiga após comer igual a uma lagarta. Pois é meu caro amigo, Brasil não só tem o Carnaval de festa para oferecer e, se um dia você tiver a possibilidade de ir ao Brasil, aconselho a ir nessa época do ano para conhecer essa maravilha, se arme com um chapéu de palha, trance os cabelos, vista aquela blusa xadrez em azul ou vermelho, coloque sardas em seu rosto ou trace um bigode bem fino, perca um dos dentes da frente que é sucesso. E ah! Cuidado com a cobra!

 

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