“O curso dá-lhes uma boa formação”


Alice Marques

Mais de seis dezenas de alunas e alunos já fizeram o curso profissional de Técnico Auxiliar de Protésico Dentário. Os estágios em consultórios e em laboratórios foram momentos decisivos no percurso dos 3 anos.
Marcus, diretor do laboratório Requinte Lab, falou ao P&V das estagiárias que por lá passaram. Considera que para a exercerem a função de auxiliar de protésico “o curso as prepara muito bem”. Destaca em particular a Sara Saraiva, “uma menina muito dedicada e bem preparada”.
Ana Teresa Marques, diretora clínica da Dente.com, tem recebido todos os anos estagiários, alguns “mais motivados do que outros, mas progressivamente mais dedicados, sobretudo as raparigas”, disse ao P&V. De momento, Rupinder Kaur está a fazer o último estágio na Dente.com e gosta muito: “há sempre muito trabalho; eu faço trabalho como assistente dentária e na esterilização, que foi o tema da minha PAP”, disse visivelmente satisfeita. “A Rupi dá-nos uma grande ajuda” confirmou a diretora clínica. Quem também está muito satisfeita com o seu trabalho é a Mara Rodrigues. Terminou o curso em julho de 2016, todos os estágios curriculares foram feitos na dente.com e, de momento, tem aqui o seu emprego como assistente dentária. Apesar de o curso não ser desta especialidade, o que aprendeu nos protésicos é quanto basta para rapidamente se adaptar ao trabalho que está a fazer na clínica. “É uma das melhores funcionárias que tenho aqui”, confirma a Dra Ana Teresa Marques.


A trabalhar também como assistente dentária, na Clínica Médica de Implantologia (CMI), em Leiria está a Raquel Galvão, uma das alunas do 2º curso de auxiliar protésico, concluído em julho de 2014. Passou pelo estágio curricular na Clínica do Rowney Furfuro e no Instituto de Medicina Oral, também em Leiria, e após ter terminado o curso trabalhou seis meses no Pingo Doce, na Marinha Grande. Foi a diretora do curso, professora Fátima Carvalho, que a encaminhou para a CMI. Após uma entrevista, foi selecionada para um estágio profissional e depois disso ficou como trabalhadora efetiva, vai para dois anos.
Apesar de o salário não lhe permitir ter algumas das coisas que considera importantes, razão pela qual trabalha todos os fins de semana no Aldi na Marinha Grande, para melhorar o seu orçamento mensal, a sua satisfação com o trabalho na CMI é grande. Já teve até propostas para outras clínicas, mas recusou porque está muito bem na CMI, onde sente “que tem uma carreira” e o médico com quem trabalha, Dr. João Pedro Almeida, investe na sua formação. “Para 21 anos, já tenho um currículo muito bom” disse ao P&V.
A irmã, Cláudia Galvão, de momento não faz carreira na área dentária. Depois de 6 meses a servir bebidas no Bombar e de “uma péssima experiência num estágio profissional numa clínica de Leiria, do qual acabou por se demitir com salários em atraso” e muito desmotivada, aceitou um trabalho no controlo da qualidade na Gallo Vidro, onde um bom salário compensa a frustração da experiência anterior. O sonho da enfermagem ficou adiado, embora, diz-nos, “o facto de ser bombeira voluntária permite trabalhar também nas questões da saúde”.
As manas gémeas, Ana Cláudia e Ana Raquel Galvão, foram óptimas alunas do curso de auxiliar protésico. Fizeram uma Prova de Aptidão Profissional que lhe valeu 20 valores e terminaram o curso com 18. O ensino superior fazia parte dos seus projetos e fizeram os exames de candidatura. Mas “era uma despesa incomportável para os pais ter duas filhas na universidade”, explicaram ao P&V. Este ano, Raquel voltou a candidatar-se mas a média de 15,3 não foi suficiente para entrar em Psicologia Forense, que ainda é o seu sonho. Entrou em Solicitadoria, “um curso que pôs na lista só para encher o boletim”, diz-nos. Não foi fazer a matrícula. Um curso superior fica, para já, em stand by. Ganhar algum dinheiro para aliviar as despesas do orçamento familiar e terem alguma independência é uma realidade que aceitam sem qualquer contrariedade. Têm 21 anos e, apesar de encararem o futuro de forma diferente, pois mesmo sendo gémeas são diferentes na personalidade, Cláudia e Raquel não excluem a hipótese de um dia, virem a ter a sua própria clínica.